Tava ali fazendo um mingau de aveia no microondas quando uma voz me disse que deveria vir aqui escrever um post. O assunto, ela não falou. Obedeci do mesmo jeito.
O frio chegou mas não me importa! O inverno faz parte dos movimentos do mundo e não quero mais reclamar dos meus pés gelados, mesmo se estão abafados nas meias de lã. Ontem caiu a primeira neve:
Estou muito bem, obrigada. Ultimamente ocupo as horas do dia com o trabalho na loja e as tarefas de casa, pouco tempo na net porque não quero mais ficar dependente disso aqui correndo o risco de perder o equilíbrio, a noção do tempo e a saúde dos meus olhos. O resultado é que as gavetas estão todas arrumadas, a pilha de roupas de casa prá passar não existe mais e a fila de livros por ler começa a diminuir.
Hoje percebi que já estamos quase no fim do ano, já começaram a din-don-don-dear meu saco pelos supermercados, nas propagandas, nas lojas e já estou fazendo a lista das coisas que tenho para comprar e colocar na despensa, tipo arroz e feijão mesmo, somente para evitar a doideira das compras na época das festas.
Ainda não se sabe se vamos pro Brasil ou prá cama dormir durante os feriados de dezembro e seja o que for, estou pronta. O importante é que não tenha que bocejar pelas casas dos outros fazendo trenzinho sem graça no reveillon.
No final das contas, nem acabei de contar minha viagem ao Brasil em agosto (!!!). Resumindo: passei muito tempo correndo atrás de documentos mas acabei resolvendo tudo, nunca usei tanto o Quem Indica na minha vida (aprendendo a ficar esperta) e andei prá cacete. Saí pouquissimo: fui jantar com alguns amigos do meu ex-trabalho e fiquei chateada por não ter tido oportunidade de dedicar nem um momento a uma amiga; fui pro dentista fazer uma coisa e acabei indo outras 6 vezes porque surgiu um problema; saí com meu ex-namorado; fui prá Volta Redonda e Itatiaia com minha mãe visitar parentes; fui uma vez na churrascaria (sozinha) e enchi a cara de picanha; almocei na Colombo duas vezes; nem vi a cara da praia; fiz depilação, limpeza de pele, cortei os cabelo e fui no Dr. Scholl; gastei um monte de dinheiro comprando roupas e sapatos prá mim e prá minha filha; visitei parentes e acabou.
Na volta, peguei o avião e fui encontrar com os três malucos (meu marido, seu amigo e o macaco) em Guarulhos. Entramos na fila do checkin e só tinham dois lugares no avião. Viemos eu e meu marido: o amigo ficou. Pior que eu percebi que tinha trazido o seu macaco comigo somente depois de uma semana que estava aqui na Itália: foi o tempo que o cara ficou esperando uma vaga prá voltar.
300 g do espaguete
4 dentes de alho
1 pimenta vermelha
1/2 copo de azeite extra virgem
Sal
Salsa
Água abundante
· Ferver a água, adicionar a massa e salgar.
· Quando a pasta ficar cozida, “al dente”, esquentar o azeite em uma frigideira. Fritar no fogo médio a pimenta, a qual você terá picada e removido as sementes.
Juntar os dentes de alho fatiados e sem a casca. Atenção para não escurecer o alho, isso o tornaria amargo: deve somente ficar dourado.
· Escoar a massa “al dente” e temperar com o preparo da frigideira sobre o fogão.
· Servir o spaghetti bem quente em pratos profundos, pré-aquecido e com um pouco de salsa picadinha.
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PAROLE, PAROLE, PAROLE
Tem palavras que odeio falar/escutar em italiano. Não perguntem por que!!!! Não tem nada a ver com o significado, é só a fonética que me irrita. Vai saber...
Bambagia (pron.: bambágia) - originalmente o significado era somente algodão (tipo hidrófilo) mas hoje se usa numa espressão popular: "viver na bambagia" , que quer dizer viver ou estar no macio, no bem-bom.
Mastello (pron.: mastéllo) - É só uma bacia! O mais interessante é que conheci esta palavra quase outro dia e ela ficou logo antipática. A situação foi uma daquelas surreais que acontecem de vez em quando.
Estávamos trabalhando, eu e meu escravo, quando de repente senti meu marido gritar: "corre aqui! corre aqui!". Larguei tudo num susto só e vou no porão ver o que ele quer. Mal cheguei, ele estava tentando fechar a porta da máquina de lavar e o chão todo alagado. Vai pegar o martelo! Vai pegar o martelo! Então eu falei: cara, não é possível que você vai tentar martelar a porta da máquina para poder fechar! Eu vou pegar é o balde! (secchio - pron.: séquio)
Ele quase largou a porta de raiva. E foi difícil prá ele acreditar que eu NUNCA havia escutado aquela palavra.
Ainda não entendi se não gosto dela por trauma ou se toda vez que escuto, lembro do Mastella (político pentelho daqui).
Cordoglio (pron.: cordôlho) - é demonstrar o sentimento de compaixão, de desprazer quando alguém morre, os nossos "pêsames". Já não sei o que dizer quando uma pessoa morre e piora se penso no tal do "cordôlho", parece que está dizendo "corda no olho".
Agora que estou escrevendo, achei que já falei disso aqui. Tem nada não, escrevi de novo e leiam de novo.
Ah, também não gosto quando os italiano falam "ele é um meu fanS" (meu fã, mas bota sempre o S seja no singular ou no plural). Que digam "um viadoS" (só tem um de viado!) ou então "a samba" assim mesmo, no feminino. Vou dançar A samba.
Eu tenho a sorte de conhecer um monte de gente esquisita. Gente legal também, né, peraí.
Hoje veio na loja uma mulher que mora aqui perto e vejo todo dia. A bicha é maluquinha e ainda por cima tem um irritante sotaque do sul; tive algumas situações negativas e em uma delas até deixei de dar bom dia, de tão puta que fiquei. Sempre porque ela trazia a roupa aqui e depois inventava alguma coisa: que não tinha uma mancha antes de lavar (eu que fiz), ou que tinha encolhido, ou que eu não tinha lavado e estava dando a roupa ainda suja... um porre de Sangue de Boi.
Até que um dia deixou um monte de roupas aqui por mais de um ano (detalhe, ela passa TODO dia na minha porta) e depois mandou o marido pegar dizendo que passaria no dia seguinte para pagar. Você veio? Nem ela. Como se tem uma coisa que eu detesto é caloteiro, deixei passar algum tempo e, um dia, encontrando na rua disse que TALVEZ ela tivesse esquecido da 'continha' prá pagar. A perua rodou a baiana no meio da rua! Parecia uma galinha dançando o créu. Larguei ela se debatendo sozinha e depois de alguns dias o marido veio pagar a conta.
E eu acho que veio somente porque minha vizinha falou prá ela que toda brasileira é macumbeira.
Ah, sim. Ela veio hoje com um casaco de uma fazenda estranha que não me inspirava muita confiança e ainda por cima sem etiqueta com instruções de lavagem. Queria que eu lavasse somente o colarinho porque "o resto ainda está limpo" e eu tive que falar o que falo sempre quando alguém aparece querendo lavar "só a manga" ou "só uma perna da calça":
- "sim senhora, mas vai demorar mais pois tenho que mandar a costureira descosturar, eu lavo e aí mando de novo prá recolocar. Quer?". Tem gente que percebe logo o mico, mas algumas como ELA, respondem assim: "ah, vai ficar mais caro, né?" (olha meu olhar de cordôlho...).
Mas ELA não ficou por aí não: então você lava ele todo mas eu pago só o colarinho, que é a única coisa que está suja.
Valha-me zeus. Já estou vendo meu marido se mijar de rir vendo a cena na camera interna.
- Olha senhora, mesmo se eu lavar ele todo esse amarelo do colarinho não vai sair. Isso é sujo velho e já penetrou no tecido. E depois nem sei se lavo a seco ou na água, não tem etiqueta!
- Eu tenho certeza que o amarelo sai. Já entendi! Você não quer lavar! (danada)
- Não senhora, é que já sei que vamos ter que discutir depois. A senhora nunca fica satisfeita com o trabalho e depois também não quer pagar. Não é melhor que a senhora mesma lave prá ver que o amarelo não sai?
- Tá bom, mas se encolher eu venho aqui e vou querer uma nova.
Vou acabar indo no papo do meu marido de fechar todo o barraco e ir plantar banana no Piauí.
Da série: "Eu adoro o nosso Presidente"
PS: Muito embora a atitude mostrada no vídeo encaixa perfeitamente no perfil do presidente, a pessoa que aparece é um sósia.
Esse Feioberg além de ser um idiota e ter um pinto pequeno como todos os homens que batem em mulher, merece ser sodomizado (e gomorrizado também) na cadeia até o fim dos seus dias.
Bonzinho é o cacete. Doente, uma ova.
Revolta.
5° dia Acordo cedo e da janela entra cheiro de carambola. Respiro fundo o cheiro de carambola. Cheiro de carambola.
Entra o sol e logo depois entra a gata, tão silenciosa que percebo somente a sombra.
Aperto o meu travesseiro e sinto os ninhos de abelha da espuma: era o meu travesseiro de antes, como 'de antes' também a cama e o edredon. O passado que acorda comigo e me dá vontade de olhar no espelho prá ver se ainda tenho meus cabelos compridos.
O cachorro passeia bamboleando no quarto e me olha com cara de piedade, acho. Senta e começa a se coçar com dificuldade, gordo e velho mas ainda querendo que eu faça cafuné.
Café, leite, pão torrado com manteiga, tapioca, laranjada, mamão e mamãe.
Igualzinho a uma vez, mas diferente e confuso. Sou eu mas não sou eu.
Tomo banho e saio prá trabalhar. Ou não?
Mas ela me diz: "Vai com Deus e não volta tarde".
Inventaram um terno que para lavar é só enfiar debaixo do chuveiro, estender e na manhã seguinte, vestir.
Sem passar.
Veja o vídeo:
Ainda bem que daqui que chegue aqui na Atrasolândia eu já vou estar aposentada e ainda vou ter muito tempo para usar o meu maravilhoso, prático, ultra-moderno, sen-sa-cio-nal
Acabei de levar uma "chamada" do meu marido. Estávamos conversando pelo msn e veio o assunto que está lhe preocupando e que já me deu umas chamadinhas ultimamente. Ele ficou assim porque estou dedicando muito tempo aos PERFUMES... Pois é, eu tenho umas recaídas de vez em quando com algumas compulsões e agora estou me dedicando aos perfumes com uma certa tendência maniacal. Sua preocupação chegou ao auge porque ele hoje descobriu que ontem, quando saí, comprei logo três de uma só vez. Continuo a pesquisar novas fragrâncias e agora estou me interessando particularmente por perfumes de nicho, que por serem mais artesanais e com edição limitada, custam mais e causam também mais desespero no bichinho.
Até outro dia ele só me encarnava quando me via de manhã, na frente do espelho, parecendo criança na vitrine da casa de balas escolhendo o perfume daquele dia. Participo de fóruns (nunca fiz antes), compro on-line e quando saio não volto sem um vidrinho (até quando vou ao supermercado).
Todos os meses, tenho um total de dinheiro que posso gastar com as minhas ditas "bobeiras", depende de como vai o movimento na loja. Mas muitas vezes nem tenho vontade de comprar nada. O preocupante é que ultimamente só compro perfumes e ele disse que se eu não maneirar vai querer que eu procure ajuda, já que isso só pode ser psicológico e que devo estar querendo preencher alguma lacuna e não consegue entender pois eu tenho tudo prá ser feliz. Serà que existe alguma Associaçao de Perfumòlatras Anonimos?
Vou tentar mesmo parar com isso. Mas antes tenho ainda que comprar esses aqui. Depois eu juro que espero os 28 que tenho no armário acabem. Depois, depois, depois. Mooooito depois.
ABESTADOS EM AÇÃO
Ihhh, tem acontecido um monte de coisas que nem tive tempo de dizer. Mas ultimamente, minha cidade tem saído muito nos jornais. Primeiro, porque foi realizado no mês passado o campeonato mundial de ciclismo de rua. Agora os jornais falam muito dos episódios de racismo que pipocam por toda a Itália e infelizmente na semana passada aconteceu aqui um caso de uma garota marroquina que foi agredida por outros adolescentes dentro de um onibus, em pleno centro.
Hoje, falam do caso das figuras que algumas crianças desenharam, pintaram e colocaram nas calçadas de um bairro com a intenção de alertar os motoristas a diminuir a marcha.
As figuras eram de crianças de cor branca e escura. Olhem como encontraram hoje de manhã as crianças de cor escura:
Peguei o trem e fui na Light procurar o documento que faltava pro problema da Caixa. Affffe como ficou bonita a sede na Marechal Floriano depois da reforma! Encontrei com um amigo que iria me ajudar a procurar a pessoa certa para resolver logo tudo. A pessoa certa estava de saída para uma reunião e não podia fazer nada mas delegou a tarefa para um outro. Esperei bastante pois não conseguiam achar o tal documento mas acabaram resolvendo o problema com o famoso jeitinho brasileiro. Saí de lá quase na hora do almoço e como tinha que correr para a Caixa mixou o almoço com o pessoal que trabalhava comigo. Prometi voltar outro dia mas infelizmente não pude cumprir e fiquei muito chateada com isso.
Na Caixa, o homem responsável pelo meu assunto estava ocupadíssimo e a essa altura já era hora do almoço (sem falar que eu me atrasei mais ainda porque não conseguia achar o cartão de visitas dele com a recomendação do meu caso) e quase tive que voltar depois. Em menos de 15 minutos ele desentravou tudo e no fim da história o mínimo que pude fazer foi chamá-lo para almoçar.
Geeeeeeente, eu quis ir no Cedro do Líbano, já que estávamos naquelas bandas. Amo aquele restaurante e fico igual a pinto no lixo olhando o cardápio sem saber o que escolher. Estava doida de vontade de comer homus mas o cara insistiu para que eu provasse o babaganouch, fui na onda e não me arrependi. Comi arroz com lentilhas e cafta no espeto. Percebi que o homem era workalcolic e já estava agoniado prá voltar ao trabalho! Disse que nunca fica mais de 20 minutos na pausa do almoço. Cacete! Já tinha passado meia hora! Aí eu disse que se ele quisesse poderia voltar pro trabalho e não esperou eu falar duas vezes hahahahaha me plantou sozinha lá no restaurante ainda com o prato quase cheio. Azar o dele, perdeu o café.
Saí no Saara com a alma em canto, sentindo aquele cheirinho gostoso de mercado árabe e quase saltitando fui na Casa das Essências comprar o necessário prá fazer um perfume de capim cheiroso.
Cheguei em casa e liguei pro meu marido. Ele reclamou porque eu tinha esquecido dele. Ué, era prá lembrar? Nem se despediu de mim no aeroporto! Aí ele soltou mais uma daquelas: "Quando estava chegando na porta do avião te procurei e não te vi. Aí foi que eu lembrei que você não vinha prá Bahia!". Legal.
Estão bem. Quando chegaram foram prá um hotel em Salvador mas não gostaram. Daí se mandaram prá casa do meu tio. Estavam tomando caipirinha de maracujá mas o amigo estava com problemas intestinais: caiu de boca no pastel de siri com dendê mas não aguentou.
O trem merece um capítulo a parte. Assim como a feira e o mercado, que por sorte de vocês eu não fui.
Sou fascinada por trem e viajo neles desde pequenininha, quando minha mãe ou meu pai ainda me pegavam no colo prá descer. Por anos dormi embalada pelo barulho dos trilhos que embora morando não muito perto da estação, escutava no silêncio da noite. Fiz amigos, paqueras e muitas risadas com as coisas que aconteciam nos vagões. Sou a maior contadora de histórias de 'causos' de trem, perguntem aos meus amigos. Vi também tragédias e me aborreci muito com os atrasos e descasos na época que trabalhava e ia todos os dias de Madureira até a Central.
Adorei os trens novinhos e com ar refrigerado mas também curti viajar nos velhões da minha época. Gostei de ver mais segurança e informação, além da pontualidade. Vi mulher-maquinista, que antes não tinha. Estações limpinhas até prás bandas da Baixada mesmo se ainda se sente cheiro de xixi em algumas.
Porém tem sempre um porém. O aumento dos vendedores dentro dos vagões e a proliferação de "pregadores" que gritam e cospem na vizinhança é notável. Cheguei até a gravar no celular a voz de um homem que gritava tanto que quase se sufocou (com direito a risadinhas do pessoal). Mas o fato de me incomodar não quer dizer nada, faz parte do folclore do trem e me enriqueceu na experiência.
Sobre o clip aí em cima, me faz lembrar quando ia trabalhar de manhã e secava os cabelos no vento da janela cantando na cabeça essa e outras.
2o. dia Tomei um café horrorível no aeroporto enquanto esperava minha mãe. Depois do deslumbre de ver a cidade do alto, caí na real da Av. Brasil como sempre fedorenta, perigosa e esburacada.
Não acho nada longe no Brasil, mas depois que vim embora e minha mãe saiu de Madureira prá ir morar na Baixada, acho longe prá dedéu ir de carro prá lá. Por isso que eu adoro o trem e não me conformo como um país da extensão do Brasil tenha uma malha ferroviária tão ridícula. Cacete! Acabaram até com trem Rio-São Paulo! Quer idéia mais imbecil que esta? Delícia ir para Sao Paulo de trem, na cabine com beliche e café da manhã no vagão-restaurante. Soube que estão planejando um alta-velocidade que entrará em função em 2014 (????) e fará a viagem em pouco mais de uma hora. Cadê a graça?
Minha mãe preparou feijão de tropeiro e me emocionei de novo diante do prato. Aliás, eu sou um saco logo quando chego no Brasil (e tem gente que diz também depois): fico com nó na güela até com as amendoeiras na rua. Deitei mas sentia vontade de sair e fui fazer as unhas.
3o. dia Peguei o trem e fui prá Madureira resolver a pendenga na Caixa. Depois de entrar numa fila de umas 20 pessoas para falar com o recepcionista, expliquei meu problema e ele me mandou para um outro andar, depois de me dar uma senha. Mostrei a senha pro guarda e soube que aquele número seria chamado somente depois das três da tarde. olho o relógio: onze e quinze. Saio na confusão da rua e me decepciono com o estado que se encontra o bairro. Crateras até nas calçadas, um monte de gente que distribuía papéis e papéizinhos de candidatos (estávamos em plena campanha eleitoral) que o povo inevitavelmente jogava no chão sem nem olhar, junto com os mais papéizinhos de empréstimos, pais-de-santo e propaganda vária. Sem falar nos famigerados carros-de-som que mais pareciam o Trio Elétrico da Daniela Mercury.
Cruzei a passarela, parando antes prum pastel com caldo de cana no quiosque da estação e corri prá casa da minha sogra (ops, EX-sogra) Vi o pessoal, peguei o rango dela e depois voltei prá Caixa.
Fui atendida muito tarde, já estavam quase fechando e fiquei muito impressionada com a única pessoa que tinha para atender: deixou umas oito pessoas esperando enquanto resolvia um problema com um cliente pelo telefone por ao menos 25 minutos. Ainda por cima não consegui resolver nada pois eles querem um documento no original e eu só tenho a cópia.
Se continuar assim vou acabar chorando é de raiva! Ou então faço qualquer promessa pro macaco.
Na Globo Internacional: programas brasileiros, publicidades angolanas.
"Compre uma geleira e de borla leve um dvd por apenas 18.990.00 kwanza!!!!"
Na Record Internacional: lavagem cerebral do Bispo Falsedo.
"Você brasileiro! Estou falando direto ao seu coração! Você que foi obrigado a sair da sua terra em busca de melhorias prá sua vida; que deixou sua família e amigos para viver numa terra estranha, passando dificuldades, trabalhando dia e noite para poder ajudar quem ficou. Você que se sente sozinho e abandonado; sente frio, fome e saudades. Que sofre de depressão, que já pensou no suicídio, que deseja acabar com esse sofrimento! Venha hoje na rua pe-re-re-pe-pé e resolva todos os seus problemas! Estamos te esperando com o óleo sagrado da terra prometida para ungir a sua vida......."
Não, não aconteceu nada.
Como sempre, quando volto do Brasil, me encolho. Em cada viagem, uma iluminação.
Fiquei sem vontade de escrever, tinha/tenho muita coisa prá fazer e não entrava nem no blog prá não ficar com sentimento de culpa.
Voltei.
A VIAGEM
Fechamos a loja no dia 2 de agosto e eu ainda nem tinha tirado as malas do sótão. Afinal, nem sabia quando iríamos partir pois a primeira semana de agosto é a mais terrível: todos os vôos estavam lotados. Abro parêntesis: nossas passagens não nos dava direito a reserva e devíamos estar preparados prá ficar indo e vindo do aeroporto até conseguir achar um buraco. Minha filha nos aconselhou a comprar na classe executiva para termos mais chances de achar lugar, principalmente na volta.
Decidimos que eu iria para o Rio sozinha já que teria de resolver os problemas burocráticos na Caixa Economica e dos meus documentos para fazer a bendita cidadania italiana. Logico que ele iria me atrapalhar e não aproveitar as férias. Então, arrumou a companhia de um amigo para curtir em Salvador. Detalhe: o amigo é aquele que já falei aqui que foi prá India sozinho, no primeiro dia bebeu água do Ganges e passou as férias uma infecção no intestino. Gosto muito do cara, é o maior relax, parece até baiano! Ao menos eu ficaria menos preocupada com ele sozinho rodando com as Crocs cor-de-abóbora na Baixa do Sapateiro.
Tiramos a segunda-feira para arrumar as malas e resolvemos acampar no aeroporto já na terça. Os planos eram de pegar lugar na lista de espera, deixar as malas guardadas lá e voltar todo dia até conseguir lugar (ainda bem que moramos perto do aeroporto). Chegamos cedinho e já encontramos 4 pessoas na frente do balcão da TAM. Quando deu onze horas já tinha tumulto. Pela quantidade de gente, precisaria ao menos de outro avião e já estávamos fazendo planos para ir jantar fora de noite. As meninas da companhia perguntavam a cada passageiro que estava na fila se queriam transferir a viagem para o dia seguinte: ofereciam 500 euros mais a noite no hotel e ninguém aceitou! Nós, não tínhamos direito a essa opção.
Fomos, eu e o F. (nosso amigo), tomar um café e ele continuava a dizer que viajaríamos naquele dia mesmo e eu encarnava. Começou contar um papo de um tal macaco, que era o seu protetor e que tinha lhe dado a certeza que partiríamos logo. Enquanto eu ria e pensava que só ele mesmo prá ter um macaco como protetor, entrou um cara no bar com um macaco e-nor-me desenhado na camiseta e o F. me falou: "tá vendo? ELE está nos mandando um sinal". Eu: kkkkkkkkkkkkkkk.
Quando estávamos saindo, lembrei que não trouxe nada para escrever. Demos meia volta prá comprar um bloquinho de notas e, na pressa, peguei o primeiro que apareceu:
Ele só me olhou sem falar nada e voltamos para a fila do check-in que já estava acabando. Completados os lugares no avião, minha filha saiu do check-in e foi receber os passageiros no gate deixando a chave do carro dela para voltarmos para casa e carregando as malas para deixar no depósito. Meu marido e eu já estávamos girando os calcanhares quando F. nos disse que só sairia da frente do balcão quando todos os funcionários tivessem ido embora e não adiantou nada a gente dizer que o macaco dele estava dormindo... Mal acabamos de falar, a chefe nos chama dizendo que poderíamos partir. E correndo! Tivemos que pedir a um rapaz prá correr atrós das nossas malas (nosso amigo é tão easy que viajou somente com uma bolsa de mão e mochila!), fazer o check-in e correr até o avião. Eu, desesperada porque não iria me despedir da minha filha mas ela entrou no avião somente o tempo de dar um beijinho.
A partir dali, não vi mais F. nem meu marido. Haviam somente dois lugares juntos e um outro separado e ao procurar os lugares eles se sentaram juntos e já com o champagne de boas-vindas na mão nem viram onde fui me sentar. Tive a maior sorte: a minha poltrona era a do meio e nas laterais dois homens: um rabino que fedia como um macaco de uma parte (castigo) e na outra, um sujeito com um grave problema de obesidade. Passei as doze horas apertada entre os dois seres e posso dizer que foi uma das piores viagens que fiz.
Chegando em Guarulhos, já sabia que não poderia partir para o Rio no mesmo dia pois o último vôo saía 20 minutos depois da minha chegada. As duas almas gemeas, que beberam durante quase toda a viagem, riam de tudo. Deixei eles sentados e fui procurar o balcão do vôo deles prá Salvador e depois fiquei esperando até eles partirem.
Meu marido esqueceu de se despedir de mim e nem olhou prá trás antes de sumir no corredor que leva ao avião. Eu, fiquei ali com a boca aberta, olhando as malas no carrinho até me decidir de ir pro hotel dormir.
Na manhã seguinte, parto pro aeroporto de Guarulhos prá tentar pegar o vôo das sete pro Rio. Quando chego, parecia que a Tam tava dando doce: uma fila enorme, todo mundo nervoso e, lógico, não tinha lugar pro Rio. Espero o próximo e nada. A garota do balcão, já toda descabelada e suada me diz que TALVEZ eu possa partir no dia seguinte. O quêêêê??? Que-queu-vou ficar fazendo em São Paulo por um dia inteirinho? Nem pensar! Chega uma outra, mais nervosa e antipática e diz: "já que a senhora está com pressa, porque não vai prá Congonhas e tenta de lá?".
Bom, já que eu tenho tanto tempo livre, corro prá Congonhas. Correr é um modo de dizer: o trajeto durou quase duas horas no tráfego caótico da manhã e ainda por cima começou a chover. Essa porra desse macaco já está se vingando demais. Mandei ele parar.
Chegando lá, levei um susto: o balcão, com só uma funcionária com a cara de tédio estava vazio! Ai, caracas: agora só falta não ter vôo...
Invés, a garota falou: o avião sai daqui a 15 minutos me dê os documentos que eu levo a senhora lá. E às 10:45 o avião decolou comigo dentro que tentava lembrar o que é que tinha comido no café da manhã do hotel que estava dançando dentro da minha barriga: foi o bolo? o mamão? o abacaxi? a gelatina? o suco? o pão com manteiga, queijo e presunto? o café com leite? ahhhh... só pode ter sito aquele pão doce com côco por cima... Gente! estou em casa!!!!! Col cazzo que vou vomitar!
Agora, a melhor parte de tudo: chegar no Rio pelo Santos Dumont é a melhor coisa que pode acontecer a um carioca expatriado. Eu, que morro de amores por aquela cidade, fiquei com vontade de chorar naquele dia lindo, de céu claro/brilhante. E enquanto voava sobre o mar, a ponte, as montanhas, a catedral, os prédios e de novo o mar, sentia que aquilo tudo era meu e que meus braços eram enormes, mas tão grandes que eu conseguia abraçar tudo de uma vez só.
Alguém aí me dá um chute no 'sedere' que me faça voltar prá Itália?
Quando (e se) volto, escrevo o diário de viagem. Tá tudo anotadinho (ou quase). Aqui, o tempo é curto e precioso prá ficar nas lan-house da vida atualizando blog.
Ainda estou aqui.
Fechamos a loja no sábado num corre-corre tremendo. Não adianta nada (ou adianta pouco) organizar-se para não se atolar no trabalho, tem sempre os atrasadinhos que no último momento chegam pedindo prá fazer a roupa e não podemos recusar.
Tive somente o domingo para fazer algumas comprar de coisas para levar e ainda passei mal por causa do calor quando estava no supermercado. Alinhãns, aqui está um calor abafado dos infernos, difícil até dormir.
Agora, escrevo enquanto espero secar o chão da cozinha. Hoje tenho as malas (odeeeeeeeeeeeeeeeeeeeio malas!) para arrumar, depois que acabar de limpar a casa e ainda espero de ter tempo de passar um pouco de roupas. Adeus fazer as unhas e depilação: deixo prá fazer tudo no Brasil.
Outra coisa: não sabemos se iremos mesmo amanhã. A companhia aérea está com superlotação e é bem provável que teremos de voltar na quarta-feira (e na quinta, se necessário) esperando a nossa vez na lista de espera.
Acho que só vou voltar a escrever quando estiver lá.
Tem quem pede prá trazer farinha, alicate, chá de boldo, havaianas, carne-seca e até ki-suco. Soube de uma grávida que queria bala Juquinha e eu já pedi uma bucha, daquelas de feira, comprida e com as sementinhas ainda dentro. Brasileiro com saudade é foda, mas o pedido mais estranho que recebi veio de um italiano na semana passada.
Cliente antiquíssimo, viúvo e com um filho de cerca 35 anos que ainda mora com o pai. O homem casou novamente com uma mulher muito jovem e de vez em quando reclama da presença do filho em casa, que atrapalha a intimidade deles. Meu marido é que estava na loja e enquanto atendia conversavam sobre a dificuldade que os jovens têem para sair de casa e fazer vida própria. Procuro não participar dos papos e nem dar muita trela prá cliente, senão não faço mais nada: a maioria são gente de idade, doida prá encontrar alguém que escute as suas mazelas e depois não desgrudar mais.
Papo vai, papo vem, entro na loja enquanto eles falavam das férias e da viagem ao Brasil. O homem virou prá mim e disse "não é que você tem alguma garota no Brasil para me dar?". Isso mesmo, ele falou "dar" ! Estranhando o verbo, respondi: "para 'dar' não; para 'vender', talvez". Mammamia, por que fui abrir a boca! Pior é que eu estava num dia de azedume humoral e falei com um tom bem sarcástico, mas o cara não percebeu e ficou todo animadinho: "ah, é? e quanto você quer?" .
Pausa: muito cuidado quando fizer piadinha com alguns italianos: eles levam tudo a sério! O ruim de gente que não perde tempo com nada é que acaba perdendo também o senso do humor ou, quem sabe, eles têm um humor diferente do nosso... Lembro que muitas vezes falava as coisas mais absurdas pro meu marido e ele levava tudo ao pé da letra. Quanta confusão!
O negócio é que o cara depois explicou que estava tentando "arrumar uma mulher pro seu filho".
Eu não posso escutar essas coisas. Me vem um nervooooooso!
Tá legal, ele tem razões de sobra prá querer ver seu filho arrumado na vida. Vou me colocar um pouquinho no lugar dele. Mas perguntou pro seu filho se era isso que ele queria?
Falou que "o garoto precisa de uma mulher para cuidar dele. Sabe como é: limpar, cozinhar...". Daí eu falei: "aaahhhh, o senhor quer que eu traga uma garota para trabalhar pro seu filho... mas é de carteira assinada?" "Não, não! eu quero que ele se case! Tudo legalizado!". Não adianta, ele nunca vai perceber que eu estou com a língua envenenada.
Pois é, ele está muito preocupado com o filho: o rapaz passa muito tempo no computador, sai somente com um amigo e os vizinhos ficam comentando que ele é 'estranho'.
Eeeepa. Não quero entender errado, mas aí ele dá o golpe final:
"Meu filho não é gay! Nem na minha família, nem na da minha mulher tem gay. De quem ele iria pegar isso?"